O Caçador

Pedagogical Edition

Edited by Caroline Cundick

O Caçador

 

Mal que aurora luz fagueira,

Por meu cão fiel seguido

Levo a arma companheira

E das pompas esquecido

Transponho contento os montes

E descanso junto às fontes,

Dos bosques sou o senhor!

Por feliz que o grande seja,

Eu não lhe tenho inveja,

Feliz é o caçador!

 

Que livre ele é nas florestas!
Que ar tão puro ali aspira!

São ali as suas festas,

Se é poeta toma a lira,

Solta o canto em liberdade

E de Deus na imensidade

Emprega a imaginação;

Eis sente a caça e repara,

N’um instante a arma dispara,

Busca, busca, diz ao cão.

 

Não trocava por um sólio

Venturas do caçador;

Ha n’estas selvas mais vida,

Mais saudade e mais amor!

 

Nos vastos salões doirados

Reina a intriga, a vil inveja;

Mas aqui por entre os bosques,

Da paz o gênio adeja;

 

N’estas solidões não lembram

Riquezas, luxo e vaidade,

Aqui, entre a natureza,

Só se preza a liberdade!

 

Quanto é majestoso e belo

Ver nas montanhas raiar

O formoso astro do dia

E vê-lo esconder no mar!

 

E ver como a noite estende

Seu manto sobre a natura,

Ver a lua após no lago

Mirar-se formosa e pura.

 

E nas aldeias sozinho

Volve alegre o caçador,

Ora canta, ora suspira!

Fê-lo a selva trovador?

Diplomatic Transcription

Transcribed by Caroline Cundick

O Caçador

 

Mal que aurora luz fagueira,

Por meu cão fiel seguido

Levo a arma companheira

E das pompas esquecido

Transponho contento os montes

E descanço junto ás fontes,

Dos bosques sou o senhor!

Por feliz que o grande seja,

Eu não lhe tenho inveja,

Feliz é o caçador!

 

Que livre elle é nas florestas!
Que ar tão puro alli aspira!

São alli as suas festas,

Se é poeta toma a lyra,

Solta o canto em liberdade

E de Deus na immensidade

Emprega a imaginação;

Eis sente a caça e repara,

N’um instante a arma despára,

Busca, busca,  diz ao cão.

 

Não trocava por um solio

Venturas do caçador;

Ha n’estas selvas mais vida,

Mais saudade e mais amor!

 

Nos vastos salões doirados

Reina a intriga, a vil inveja;

Mas aqui por entre os bosques,

Da paz o genio adeja;

 

N’estas solidões não lembram

Riquezas, luxo e vaidade,

Aqui, entre a natureza,

Só se preza a liberdade!

 

Quanto é magestoso e bello

Vêr nas montanhas raiar

O formoso astro do dia

E vel-o esconder no mar!

 

E vêr como a noute estende

Seu manto sobre a natura,

Vêr a lua após no lago

Mirar-se formosa e pura.

 

E nas aldeias sósinho

Volve alegre o caçador,

Ora canta, ora suspira!

Fel-o a selva trovador?