Pedagogical Edition
Ecos destas soledades,
ajudai-me a suspirar,
que tal vez se busca alívio
na repetição de um ai.
ECO Ai!
Ai, que meu querido amante,
sendo em tudo singular,
deixando-me entre suspiros,
por entre nuvens se vai.
ECO Ai!
Ai, que parte para a glória
ai, que em pão fica já:
vós, ó luz de meus sentidos,
minhas queixas escutai.
ECO Ai!
Meu divino amante,
príncipe de paz,
se me quereis tanto,
por que me deixais?
Se do Céu viestes
só por me buscar,
por que tão depressa
para o céu tornais?
Se sois raro em tudo,
se sois singular,
como nos amores
também vos mudais?
Vós fizestes tanto
por me confiar,
como todo o mundo
Sempre contará.
Por mim certa noite
vos toparam já
no lugar indigno
de um pobre portal.
Por mim fostes sempre
tão fino em amar,
que injúrias sofrestes,
que é, Senhor, o mais.
Por mim finalmente,
sem eu ser capaz,
chegastes à morte
só por me obrigar.
Pois se tais finezas
ostentastes já,
como agora, ai triste,
rigor ostentais!
Desisti da ausência,
meus olhos, ficai
não me dé tal morte
quem vida me dá.
Porém se é forçoso,
meu bem, que partais,
parti nos meus olhos,
partireis por mar.
Mas ai, meu bem, mas ai,
que o venturoso céu vos leva já?
Parai, parai, parai,
não vedes tão ligeiro
ó rei da paz,
que o coração convosco me levais.